segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Autorretrato


Olá, galera do 8° ano

A proposta para vocês é a seguinte: escreva seu autorretrato com suas caracterísiticas físicas e psicológicas. Use metáforas e comparações.





Para deixar vocês inspirados,seguem alguns textos de escritores famosos.

AUTO-RETRATO (Fernando Pessoa)
Quando olho para mim não me percebo. Tenho tanto a mania de sentir Que me extravio às vezes ao sair Das próprias sensações que eu recebo. O ar que respiro, este licor que bebo, Pertencem ao meu modo de existir, E eu nunca sei como hei de concluir As sensações que a meu pesar concebo. Nem nunca, propriamente reparei, Se na verdade sinto o que sinto. Eu Serei tal qual pareço em mim? Serei Tal qual me julgo verdadeiramente? Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu, Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.


AUTO-RETRATO (Juca Chaves)
Simpático, romântico, solteiro, autodidata, poeta, socialista, da classe 38, reservista, de outubro, 22, Rio de Janeiro. Com a bossa de qualquer bom brasileiro, possuo o sangue quente de um artista, sou milionário em senso de humorista mas juro que estou duro e sem dinheiro. Há quem me julgue um poeta irreverente... Mentira, é reação da burguesia, que não vive, vegeta falsamente num mundo de doente hipocrisia. Mas o meu mundo é belo e diferente: vivo do amor ou vivo de poesia...
E assim eu viverei eternamente, se não morrer por outra Ana Maria ...


AUTO-RETRATO (Manuel Bandeira)

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado,
músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.


Poema de José Régio

"Já no lugar dos olhos, que eram belos,
tenho um buraco atônito e apagado;
Já rosas de gangrena me hão tocado,
comendo-me as raízes dos cabelos;

Já os dentes me caíram, amarelos;
Já o meu nariz é um osso cariado;
Já o meu sexo é um trapo amarfanhado;
Já o meu ventre são bichos aos novelos;

Já as minhas carnes moles despregaram;
Já a língua inútil se me apodreceu;
Já a terra se fendeu por me aceitar;
Já milhões de pés vivos me pisaram;

Filho do pó, já o próprio pó sou eu...
Mas, ao terceiro dia, hei de acordar!

Um comentário:

Andressa disse...

professora sou eu Andressa,mas queria avisar que não entendi bem!autorretrato verbal?